Nova Tamu-ra: Conceitos e Reflexões

Iniciativa Tormenta RPG: o tema desta quinzena na Iniciativa TRPG é sobre a Reconstrução de Tamu-ra (preparem-se, o Renan Slay é fanático por japão e youkais e vai fazer a festa aqui na AdT). Eu já estava refletindo sobre este assunto desde que terminei o Terceiro Deus, afinal, se os tamurianos quiserem reconstruir sua terra, como farão isso sendo tão poucos? E o terreno?

E sobre estas reflexões que escreverei aqui, além de formular conceitos que me guiarão nos próximos posts desta quinzena. Lembrando, estou apenas compartilhando MINHAS divagações e idéias, não desejando afirmar ou impor qualquer coisa. Se quiserem, compartilhem as suas nos comentários. Seria muito construtivo😉

1. O que sabemos sobre Tamu-ra?

Resposta: QUASE NADA! Praticamente tudo que sabe-se sobre Tamu-ra encontra-se no texto sobre sua destruição (Tormenta D20, pgs.141-142), e na pequena descrição sobre Nitamu-ra (Tormenta D20, pgs.125-126). Resumidamente, sabemos:

  • Tamu-ra significa “Império de Jade”.
  • A cultura de Tamu-ra era muito semelhante a do Japão medieval da Terra.
  • Várias raças habitavam a ilha, incluindo humanos, elfos e anões.
  • Dragões de coração nobre ocupavam cargos de destaque.
  • O próprio imperador Tekametsu era um dragão. Boatos dizem que ele morreu teletransportando Nitamu-ra para Valkária, enquanto outros rumores dizem que ele estava muito fraco, escondido em Nitamu-ra.
  • Cerca de 2 mil tamurianos foram teletransportados para Valkária. Juntando com os que estavam no continente no momento da tragédia, Nitamu-ra contava com pouco mais de 3 mil almas em 1401.
  • Nitamu-ra era governada por um damyo (um tipo de regente abaixo do imperador), atualmente o jovem sumo-sacerdote de Lin-Wu: Shiro Nomatsu.

Não me lembrava que Tamu-ra era habitada por elfos e anões, algo que me parece estranho, mas condizente com a existência de um PdM elfo samurai (Kaneda Shimaru) que remonta os primórdios do cenário e fazia parte do grupo de Taskan Skylander (aquele bárbaro com um grifo). Sinceramente, espero que isto seja esquecido pelos autores – não vejo necessidade de variantes orientais para elfos e anões se podemos criar tantas raças interessantes a partir da rica cultura japonesa, ou mesmo da oriental de forma geral.

2. A recolonização:

O repovoamento de Tamu-ra inicia-se no ano de 1406, apenas 1 ano após o fim da área de tormenta da região. Com isto, surgem as questões:

Mas e o terreno? A Tormenta deixou uma terra devastada e estéril! Demorará décadas até o ecossistema se recuperar plenamente! E será que não houve seqüelas?

De fato, isto é um problema. Pode-se dizer que após 1 ano o terreno das regiões litorâneas esteje começando a se recuperar, com o aparecimento de plantas (em sua maioria vegetação rasteira) e dos primeiros animais (insetos, aves marinhas, alguns poucos mamíferos e lagartos).

Minha teoria é que os primeiros grupos a irem para Tamu-ra tinham como objetivo recuperar o terreno e estudar a recuperação da área, além de analisar possíveis seqüelas deixadas pela Tormenta. Druidas e clérigos selvagens podem contribuir muito para uma recuperação mais acelerada da região, e Lin-Wu pode ter enviado espíritos (kami), para ajudar neste assunto também. Mesmo assim, apenas algumas áreas estão recuperadas e os ecossistemas ainda estão fragéis e com pouca diversidade de espécies. Um observador cuidadoso notará que as árvores são jovens e há poucas espécies de pássaros cantando.

Quanto as seqüelas da Tormenta, leiam As Cicatrizes da Tormenta, um ótimo material publicado para a Iniciativa TRPG no Fórum da Jambô, autoria de Mestre Balthazar. O que ele escreve vai de encontro ao que eu tinha imaginado.

Juncos tamurianos chegando a ilha.

Tem muito pouco tamuriano para recolonizar uma ilha inteira!

Segundo o Tormenta D20 Nitamu-ra é habitada por um pouco mais de 3 mil habitantes. Imagino que devem existir tamurianos morando em outras partes do Reinado, mas sendo otimista seus números não passa de 4 mil.

Em primeiro lugar, Nitamu-ra não necessariamente é a única comunidade tamuriana do mundo. Tamu-ra era um império de técnicas de navegação muito superiores as do Reinado, e há registro da presença de tamurianos no continente de Moreania (na HQ Dragon Bride). Logo, não é tão absurdo pensar na existência de pequenas colônias em terras além dos mares do norte e do leste. Estes colonos poderiam ser convocados a retornar para a terra-mãe e ajudar na recolonização. O mais interessante, é que carregariam novos hábitos e culturas para Nova Tamu-ra, mesclando-as com a cultura tradicional.

Acompanhando os tamurianos, é provável que membros de outros povos ou raça partam para Tamu-ra com intuito de ajudar na reconstrução. Anões podem ser requisitados como engenheiros, pedreiros e artífices, magos da academia arcana podem fornecer auxílio no estudo das seqüelas da Tormenta, druidas moreaus estariam engajados na recuperação dos ecossistemas, etc. Eu vejo uma Tamu-ra cosmopolita e diversa nascendo da devastação da Tormenta, o que convenhamos, seria um cenário mais atraente do que um mini-cenário de fantasia oriental padrão.

Eu também imaginei cidades tamurianas perdidas em outros planos ou terras distantes. O Império de Jade possuia outros dragões e criaturas poderosas que podem ter feito o mesmo que Tekametsu. Isso daria aventuras onde o objetivo é resgatar uma cidade tamuriana perdida num plano divino ou elemental, por exemplo, uma cidadela que caiu em meio a Deathok, o plano divino de Ragnar! Eu também imaginei uma cidade de shinobis malignos perdida no plano de Tenebra, e cujos agentes estariam atuando na Nova Tamu-ra, tentando dominá-la.

Por fim, existe uma corrente no Fórum da Jambô que acredita na possibilidade de Lin Wu enviar o povo de Sora, seu plano divino, para auxiliar na reconstrução, talvez ressucitando milhares de tamurianos. Esta idéia não me atrai, primeiro porque vai contra o ciclo de reencarnação pregado por Lin Wu, segundo porque os deuses não podem resolver tudo neste cenário, oras!

No máximo erguerão uma cidade!

Se meu cenário de retorno de colonos de terras distantes estiver correto, dá pra fazer mais de uma cidade, mas provavelmente haverão apenas algumas pequenas cidades e vilas costeiras.

E as criaturas místicas do folclore japonês?

Diferente dos mortais, espíritos (kamis, youkais, etc.) não possuem alma, não estando presos ao ciclo da reencarnação. Logo, acho possível que Lin Wu tenha mandado muitos espíritos para auxiliar na recuperação do terreno.

Além disso, muitas dessas criaturas devem habitar as ilhas ao redor de Tamu-ra, ou mesmo a costa de Arton próxima. É possível que elas repovoem Tamu-ra atrás de melhores condições de vida, por verem isto como uma missão sagrada ou com interesses de conquista. Os vanara por exemplo, poderiam habitar ilhas ao norte e possuírem grupos que estão migrando para Tamu-ra, para ajudarem na reconstrução e principalmente na defesa desta, honrando um antigo pacto de aliança com os tamurianos.

Vale lembrar que é possível que criaturas de terras dstantes sejam trazidas a Tamu-ra pelos colonos, ou mesmo aproveitem a chance da ilha estar deserta. Não me espantaria de encontrar grifos vindos das Mts. Sanguinárias, por exemplo.

Quem é que vai mandar?

Na antiga Tamu-ra, o imperador era um dragão oriental, e sua autoridade era inquestionável. Não sabemos o que aconteceu com Tekametsu, mas se ele morreu, quem assumirá o trono? O damyo e sumo-sacerdote de Lin Wu, Shiro Nomatsu? Sua autoridade deve ser pouco questionada entre os nitamurianos, mas e se houverem colonos de outras regiões? E se os dragões e outras criaturas retornaram também, será que eles vão se submeter a um humano?

São questões que eu não posso responder, mas acredito que Shiro Nomatsu é sagaz o suficiente pra conseguir se equilibrar nas futuras intrigas dos nobres e dragões. A única coisa certa é de que teria-se muitos ganchos pra aventuras só com este tema (quem sabe uma guerra civil no futuro?)

Com uma terra vazia assim. Não é possível que outros povos tentem colonizá-la?

Possíveis inimigos: Rakshasas.

YES! É neste ponto que as coisas ficam interessantes!😀 Acho improvável que as ilhas ao redor de Tamu-ra sejam desabitadas, e mesmo a costa do continente deve ter habitantes.

Quando escrevendo sobre o Grande Norte (1º tema da Iniciativa TRPG), imaginei a região ao redor de Tamu-ra habitada por diversos povos de inspiração oriental. Pensando assim, nosso blog criou os lamuth (baseados nos mongóis) nas estepes do continente, e os woses (baseado no povo ainu) habitando as ilhas no extremo norte. Eu ainda imagino cidades-estado inspiradas na China e na Coréia, e que ficariam localizadas na costa leste próxima a Tamu-ra. Todos estes povos poderiam ver em Tamu-ra uma boa oportunidade, rumando para lá. Enquanto os tamurianos colonizariam a costa leste da ilha, eles provavelmente ocupariam as costas norte e oeste, e um conflito eminente estaria por vir.

Por fim, há também os povos não-humanos! Sabemos que existem nagahs aos montes nas Mts. Sanguinárias, e agora que elas se revelaram cultistas de Sszzaas, elas poderiam marchar para Tamu-ra visando estabelecer um reino próprio! Também pensei em rakshasas, que poderiam habitar as ilhas ao norte de Tamu-ra, sendo piratas ou membros de uma civilização escravista (ou ambos!). Também é possível que hajam onis nas terras vizinhas, e agora preparem-se para marchar contra Tamu-ra! (na minha visão onis são uma raça humanóide, descendente de youkais, estes por sua vez são espíritos/extraplanares malignos).

3. Concluindo:

Como pode-se ver a reconstrução de Tamu-ra dá muito pano na mangá para diversas aventuras e para o surgimento de um cenário riquíssimo e divertido. Espero que os autores ao escreverem o suplemento pensem nele mais do que um mini-cenário de japão medieval, mas em algo maior e mais dinâmico, que interaja ativamente com outros elementos do cenário, e talvez sirva de gancho para expandir a descrição da região do “Grande Norte”.

Agradecimento especial ao Renan “Slay”, que revisou o texto, corrigindo o nome do imperador dragão, e lembrando do nome do elfo samurai esquecido.

A imagem de abertura pertence ao Castelo Hiroshima. O castelo foi construido em 1580 e destruído pela bomba atômica em 1945, sendo reconstruído como uma réplica do original, hoje servindo como museu. Existe melhor símbolo para a reconstrução de Tamu-ra?

A imagem do rakshasa é propriedade da Wizards of the Coast. Infelizmente, não encontrei o nome do autor da ilustração dos juncos chineses.

Sobre Edu Guimarães
Mestra RPG desde os 10 anos e nunca mais parou. Tormenta foi seu 1º cenário de fantasia medieval, e desde então, seu favorito. É nerd, biólogo e Leal e Bom.

5 Responses to Nova Tamu-ra: Conceitos e Reflexões

  1. Di Benedetto diz:

    Cara, muito bons esses posts descritivos. Muito utéis pra quem vai produzir material sobre o tema.

    “Eu vejo uma Tamu-ra cosmopolita e diversa nascendo da devastação da Tormenta, o que convenhamos, seria um cenário mais atraente do que um mini-cenário de fantasia oriental padrão.”

    Exatamente. É assim que eu vejo também. Até por que um dos diferencias de Tomenta é não ter um “mini- cenário de fantasia oriental padrão”. O fato de não ter mais uma área de tormenta não quer dizer que Lin Wu vai aparecer e trazer um novo “do nada”.

    “A imagem de abertura pertence ao Castelo Hiroshima. O castelo foi construido em 1580 e destruído com pela bomba atômica em 1945, sendo reconstruído como uma réplica do original, hoje servindo como museu. Existe melhor símbolo para a reconstrução de Tamu-ra?”

    Não. Não existe. Perfeito! o0′

  2. Renan "Slay" Cação diz:

    Edu muito bom o Post.
    Eu mesmo como fã de Tamu-ra quando vi reconstrução da mesma pensei “Fuck Yeah Tamu-ra esta de volta!”. Que por ser tão fã acreditei que com a destruição da área de Tormenta de lá simplesmente a vegetação, animais, e construções outrora dominada pela Tormenta estaria intacta esperando seus habitantes de origem voltar. Só depois que realmente caiu a ficha que a Tormenta destrói sem deixar indícios da existência que ousou cruzar seu caminho. Este teu post ajuda a refletir bastante, pois talvez o pessoal ao ver a cronologia de Arton talvez tenha o mesmo pensamento inocente que tive.
    Ajudando um pouco com o tema do tópico, realmente são poucos NPC’s Tamurianos no decorrer da historia (acredito que uns 10 no total). Bem e temos algumas informações extraoficiais que apareceram na hoje extinta HQ Mecenário$ na qual o Marcelo Cassaro foi editor, pois bem vou postar as informações uteis aqui.

    Dai Yu (Grande Dragão). Regentes do conselho que guiam o povo de Tamu-ra. Também na mesma revista apareceu um suposto NPC que foi anunciado pelo rapaz que estava ao lado do Rei Thormy da seguinte forma “… Mestre Kuraiyamino Anaguma – Sama, Dai Yu Negro do conselho dos Seis!…Lider dos Samurais da Província de Otomo, Grão-Mestre da Ordem dos Raposas Jade…Anuncio a entrada do sexto dragão, primeiro senhor dos feitiços do sétimo circulo de C’hi…”. São alguns termos e organizações citadas na HQ, acredito que de alguns ganchos de aventura e o visual do personagem parecia um Chinês tipo Shang Tsung oque reforça um pouco da tese de haver uma junção entre as culturas, mesmo a japonesa sendo a predominante. E eu ainda acho que as Nagahs estarem disfarçadas foi uma desculpa pra tirarem elas como personagens jogáveis no Tormenta RPG, porque acredito que Lin-Wu não aceitaria uma raça filha de Sszzass para ser o protetor de sua sala na Libertação de Valkaria (alguém se lembra deste Guardião?), claro é meu ponto de vista pessoal.

    Acredito que eu não tenha muito a acrescentar, a matéria esta muito boa e faz pensar em diversos ganchos fora do clichê básico de cenários orientais.

  3. Gostei do postt, bastante divagações, é verdade, mas muitos ganchos para aventura podem ser feitos.

  4. Mestre Balthazar diz:

    Edu, primeiro queria agradecer a menção feita ao meu post no forum da Jambo, segundo queria dizer que compartilho das mesmas opiniões que vc, não tem como a Nova Tamu-ra pós-tormenta ser igual ao que era antes da destruição com os poucos tamurianos vivos hj e temos que aceitar que muitas raças “à moda nipônica” que existiam lá antes foram extintas e não vão voltar a existir só pra alimentar o “clichê oriental”, seria incoerente. Como eu disse no meu post, Tamu-ra agora é terra de ninguém, muitos vão querer ocupa-la, acho que não só tamurianos, muitos no Reinado poderiam querer migrar pra lá, com a profecia da coroa partida se tornando real, a guerra “que tomará a tudo e todos” está chegando e haverá quem prefira fugir dela indo morar em outro lugar. No mais, belo post Edu!

  5. anônimo diz:

    mto bom cara, mas ñ é japão medieval é Japão Feudal

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